Etanol de milho e Bioceânica colocam MS no radar global do DDG

Expansão industrial e nova rota podem transformar Estado em hub de exportação do insumo para ração No ciclo passado, MS produziu 1,40 milhão de toneladas de DDG (Foto: Inpasa/Divulgação) Mato Grosso do Sul pode assumir um novo papel no comércio internacional ao se consolidar como hub de exportação de DDG (Dry Distillers Grains, ou Grãos...


Expansão industrial e nova rota podem transformar Estado em hub de exportação do insumo para ração

No ciclo passado, MS produziu 1,40 milhão de toneladas de DDG (Foto: Inpasa/Divulgação)

Mato Grosso do Sul pode assumir um novo papel no comércio internacional ao se consolidar como hub de exportação de DDG (Dry Distillers Grains, ou Grãos Secos de Destilaria), subproduto do etanol de milho, impulsionado pela expansão industrial e pelo avanço da Rota Bioceânica.

Mato Grosso do Sul se consolida como um dos principais produtores de DDG do Brasil, com 1,40 milhão de toneladas geradas no último ciclo e 1,15 milhão exportadas para países como Nova Zelândia, Turquia e Vietnã. A abertura do mercado chileno e o avanço da Rota Bioceânica reforçam o potencial do estado como hub exportador do subproduto do etanol de milho, utilizado na fabricação de ração animal.

O diagnóstico é do analista de Economia da Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), Mateus Fernandes, ao avaliar a abertura, na última semana, do mercado chileno para o DDG brasileiro.

O DDG é um subproduto da produção de etanol de milho utilizado na formulação de ração animal, nas cadeias de bovinos, suínos e aves. Mato Grosso do Sul, como segundo maior produtor de etanol de milho do país, com 2,128 bilhões de litros na safra 2025/2026, cerca de um quinto da produção nacional, é, por consequência, também um dos principais processadores desse material.

No ano passado, o Estado produziu cerca de 1,40 milhão de toneladas de DDG e, desse volume, exportou 1,15 milhão. “Essa produção foi destinada, em grande parte, para Nova Zelândia (27%), Turquia (23%), Vietnã (22%) e Espanha (18%). Isso demonstra que nossa produção tem um perfil misto, com forte presença no mercado interno, mas com uma parcela relevante sendo exportada”, aponta Mateus.

Ele explica que a abertura de novos mercados, como Chile e China, amplia o leque de compradores e tende a elevar a concorrência pelo produto. Na prática, isso aproxima o preço interno da paridade de exportação, com efeitos diretos sobre a economia local.

“O efeito econômico é duplo. Pode sustentar ou elevar os preços do DDG no mercado doméstico e, ao mesmo tempo, pressionar o custo da ração, com impacto na cadeia de carnes. Por outro lado, melhora a rentabilidade das usinas de etanol de milho, que passam a ter mais alternativas de comercialização”, explica o analista.

Para Mato Grosso do Sul, o cenário é considerado estratégico, conforme o analista. “O Estado já é um dos principais polos de etanol de milho do Brasil e, consequentemente, um dos maiores produtores de DDG. Em termos nacionais, vem ganhando protagonismo e já responde por uma fatia relevante da produção brasileira, ao lado de Mato Grosso e Goiás, impulsionado pela expansão das usinas nos últimos anos”.

Etanol de milho e Bioceânica colocam MS no radar global do DDG
Fábrica da Inpasa em Sidrolândia, que produz além do etanol de milho o DDG (Foto: Inpasa/Divulgação)

O parque industrial de etanol de milho em Mato Grosso do Sul conta atualmente com três unidades, duas da Inpasa, em Sidrolândia e Dourados, e uma da Neomille, em Maracaju, e deve passar por expansão significativa. Estão previstos dois projetos da Atvos, com capacidade de 250 milhões de litros por ano cada, além da ampliação da planta da Inpasa em Sidrolândia, com mais 300 milhões de litros. Dessa forma, a expectativa é de crescimento também na produção de DDG nos próximos anos.

Esse avanço produtivo encontra na logística um diferencial competitivo. Com a conclusão das principais obras da Rota Bioceânica prevista até 2027, Mato Grosso do Sul pode ampliar sua capacidade de acessar mercados internacionais, especialmente na Ásia.

“O Estado possui uma vantagem logística importante com a Rota Bioceânica, que tende a reduzir custos e encurtar distâncias até mercados internacionais. Essa condição pode transformar Mato Grosso do Sul em um hub estratégico de exportação de DDG, aumentando sua competitividade frente a outros estados”, avalia Mateus.

Etanol de milho e Bioceânica colocam MS no radar global do DDG
Trecho da Rota Bioceânica na Argentina (Foto: Anderson Viega)

O Corredor Bioceânico, também chamado de RILA (Rota de Integração Latino-Americana) ou Corredor Rodoviário de Capricórnio, é uma megaestrutura com mais de 2,4 mil quilômetros que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, é o portal da rota no Brasil. A expectativa dos quatro países é que o corredor se consolide como uma via estratégica de escoamento e importação de mercadorias entre a América do Sul e a Ásia, com potencial de reduzir em até 30% os custos logísticos e em até 15 dias o tempo de transporte, em comparação a rotas tradicionais, como o Canal do Panamá.

As obras consideradas essenciais para a viabilização do corredor avançam em ritmo acelerado. Em Carmelo Peralta, está em construção a Ponte da Bioceânica, que liga o Paraguai ao Brasil por Porto Murtinho. A estrutura já atingiu cerca de 90% de execução, com previsão de encontro das duas extremidades ainda em maio.

Também no Paraguai já começou a aplicação da base asfáltica no terceiro trecho da rota, com 224 quilômetros da rodovia PY15, entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, na fronteira com a Argentina. Trata-se do último segmento ainda sem pavimentação no país.

Apesar do cenário favorável, o crescimento das exportações traz desafios. “Será necessário equilibrar o avanço das vendas externas com o abastecimento interno, evitando pressão excessiva sobre os custos da cadeia de proteínas animais. O ganho sustentável passa por três frentes: expansão da produção de milho, aumento da capacidade de processamento e melhoria da logística de escoamento”, conclui o analista.



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