João Jazbik Neto, de 78 anos, deverá passar por cateterismo nesta quarta-feira, após dores no peito
A dois dias da primeira audiência de instrução do processo em que é acusado de matar a esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, teve transferência autorizada para o Hospital da Cassems, em Campo Grande. O réu por feminicídio passará por um cateterismo.
O médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, réu por feminicídio pela morte da esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51, teve a transferência autorizada para o Hospital da Cassems, em Campo Grande, onde fará um cateterismo nesta quarta-feira (14). A defesa alega angina instável. O procedimento ocorre um dia antes da primeira audiência de instrução, marcada para quinta-feira (15). O STJ negou novo pedido de habeas corpus. A defesa nega o crime e sustenta a tese de suicídio.
A defesa alegou que o réu apresenta quadro de angina instável e que precisava do procedimento, marcado para esta quarta-feira (14). Conforme apuração do Campo Grande News, o cardiologista foi levado hoje ao hospital.
A movimentação ocorreu poucas horas depois de uma nova decisão desfavorável ao médico no STJ (Superior Tribunal de Justiça) ser anexada aos autos. Ainda conforme apurado pela reportagem, o ministro Rogério Schietti Cruz negou novamente pedido de habeas corpus apresentado pela defesa.
À tarde, os advogados solicitaram autorização para a realização do procedimento cardíaco. Ainda conforme a apuração, João recebeu atendimento de um médico particular no presídio onde está detido, após apresentar queixas de dor no peito. O pedido foi encaminhado ao juiz Aluízio Pereira dos Santos, responsável pelo processo, que autorizou a saída para atendimento hospitalar.
O cateterismo está previsto para esta quarta-feira, véspera da audiência de instrução marcada para quinta-feira (15), às 13h30. Na ocasião, o magistrado, representantes do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e defesa deverão ouvir as testemunhas de acusação relacionadas à morte de Fabíola.
A angina instável é uma condição cardíaca caracterizada pela redução do fluxo sanguíneo para o coração, que pode provocar dores no peito mesmo em repouso e representar risco de infarto. O cateterismo permite avaliar possíveis obstruções nas artérias coronárias.
Tentativas de liberdade – A condição de saúde de João já havia sido utilizada pela defesa como argumento para pedir sua soltura. Em setembro, os advogados recorreram ao STJ alegando idade avançada e problemas cardíacos graves. Solicitaram a revogação da prisão preventiva ou, alternativamente, sua conversão em prisão domiciliar.
O pedido de liminar foi negado em 16 de setembro. Ao prestar informações ao tribunal, o juiz responsável pelo processo afirmou que a idade do médico havia sido considerada na definição do local de custódia. João está recolhido em uma unidade militar, em condições de prisão especial.
Na manifestação, o magistrado classificou o estabelecimento como o melhor presídio do Estado e afirmou que a estrutura seria o “sonho de muitos acusados”.
Provas “em xeque” – Além de tentar a liberdade do médico, a defesa questiona os elementos reunidos durante a investigação. Em resposta à acusação apresentada no dia 28 de setembro, os advogados José Belga Assis Trad e Mário Ângelo Guarnieri Martins pediram a retirada dos laudos da perícia realizada no local da morte e da necropsia de Fabíola.
Os defensores contestam a preservação e a documentação dos vestígios analisados e sustentam que a reconstrução feita pela perícia apresenta inconsistências. Também solicitaram acesso integral aos dados extraídos de aparelhos celulares e comunicações apreendidos durante a investigação.
Na mesma manifestação, a defesa pediu a anulação dos atos praticados após a marcação da audiência de instrução. Os advogados argumentaram que a data foi definida antes do encerramento do prazo para resposta à acusação e antes da análise dos questionamentos apresentados.
Morte de Fabíola – A fisioterapeuta foi encontrada morta em 18 de maio, na propriedade onde morava com o marido, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande. Na ocasião, João afirmou que a esposa havia cometido suicídio, versão que continua sendo sustentada pela defesa.
A investigação conduzida pela Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), entretanto, chegou à conclusão de que Fabíola foi vítima de feminicídio. Conforme os laudos, a mulher sofreu golpes na cabeça antes de ser atingida pelo disparo de arma de fogo.
Os peritos identificaram manchas de sangue e fragmentos ósseos no quarto, além de uma trajetória do tiro considerada incompatível com suicídio. O exame residuográfico também apontou resíduos característicos de disparo de arma de fogo na mão direita do médico, mas não nas mãos da vítima.
Em 25 de agosto, a Justiça recebeu a denúncia contra João, que passou a responder por feminicídio, violência psicológica, fraude processual e posse irregular de armas.
O cardiologista já foi preso três vezes desde a morte da esposa. A última prisão ocorreu em 3 de setembro, depois que o desembargador Emerson Cafure reconsiderou decisão anterior que havia permitido sua soltura e restabeleceu a prisão preventiva.
Na ocasião, ao descer do camburão, João negou a acusação diante dos jornalistas. “Eu não matei a Fabíola. Eu não matei a Fabíola”, repetiu. Ele também afirmou que vivia em “lua de mel” com a esposa.
Agora, com a primeira audiência de instrução marcada para quinta-feira, o processo entra na fase de produção de provas e depoimentos em juízo.