Segundo a defesa, ex-prefeito tem cardiopatia isquêmica severa; ele foi submetido a cateterismo
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, 60 anos, foi levado às pressas do Presídio Militar para a Santa Casa depois de passar mal esta manhã. Bernal está preso desde 24 de março e já foi pronunciado para ir a júri popular pela morte do fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos.
Ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal, preso desde 24 de março pela morte do fiscal Roberto Carlos Mazzini, foi levado às pressas para a Santa Casa após passar mal no Presídio Militar. O STJ negou recurso que pedia sua liberdade, com o ministro Og Fernandes citando laudos e depoimentos que indicam um segundo disparo quando a vítima já estava caída. Bernal foi pronunciado para júri popular pelo crime.
A assessoria da Santa Casa confirmou a internação pelo Prontomed. A reportagem apurou, ainda, que ele passou por cateterismo, mas que ainda está sendo avaliado se será submetido a cirurgia mais invasiva.
Uma viatura da PM (Polícia Militar) chegou no hospital, mas, pouco depois, deixou o local.
Ontem, no fim da tarde, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou recurso que pedia liberdade de Bernal. Na decisão, o ministro Og Fernandes citou laudos, imagens e depoimentos para destacar que Mazzini já estava caído quando ocorreu o segundo disparo.
Segundo trecho da decisão, depois do primeiro tiro, Bernal teria ido até a vítima, se abaixado e dito algumas palavras que o chaveiro Maurílio da Silva Cardoso não conseguiu entender. Em seguida, conforme a decisão, houve o segundo disparo, na lateral esquerda do abdômen do fiscal aposentado.
Maurílio acompanhava Mazzini no dia do crime, em 24 de março, quando o fiscal foi ao imóvel na Rua Antônio Maria Coelho para tomar posse da casa. O imóvel havia sido adquirido após procedimento ligado à CEF (Caixa Econômica Federal), que retomou a residência por dívida de financiamento.
A defesa alegou ao STJ que o flagrante seria nulo porque Bernal teria se apresentado espontaneamente. Os advogados também sustentaram que ele não representava risco à produção de provas, que reagiu no imóvel que acreditava ser seu e pediram prisão domiciliar, afirmando que o ex-prefeito tem cardiopatia isquêmica severa e precisa de cuidados médicos contínuos.
O ministro Og Fernandes rejeitou o pedido e entendeu que eventual problema de saúde não autoriza automaticamente a liberdade ou a substituição da prisão preventiva. Segundo a decisão, seria necessário comprovar doença grave e impossibilidade de tratamento durante a custódia, o que não foi demonstrado.
A defesa sustenta legítima defesa e afirma que a morte decorreu de um “mal-entendido” sobre a entrada da vítima no imóvel. Já o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) afirma que o crime foi motivado pelo inconformismo do ex-prefeito com a perda da casa.
