Alvo de operação, empresário é preso por cárcere e tráfico em clínica

Cesta de medicamentos utilizada em clínica autuada na Operação Cura Terapêutica. (Foto: Reprodução processual) O empresário preso nesta terça-feira (18), em Glória de Dourados, foi acusado de manter um paciente contra a vontade em uma clínica e de ter estoque irregular de medicamentos controlados. A Polícia Civil enquadrou os dois fatos como cárcere privado e tráfico...


Cesta de medicamentos utilizada em clínica autuada na Operação Cura Terapêutica. (Foto: Reprodução processual)

O empresário preso nesta terça-feira (18), em Glória de Dourados, foi acusado de manter um paciente contra a vontade em uma clínica e de ter estoque irregular de medicamentos controlados. A Polícia Civil enquadrou os dois fatos como cárcere privado e tráfico de drogas. Fábio Garcia do Amaral, de 45 anos, foi detido durante buscas na Clínica Vila Bethânia.

Empresário Fábio Garcia do Amaral, de 45 anos, foi preso em Glória de Dourados por cárcere privado e tráfico de drogas na Clínica Vila Bethânia. Um jovem de 22 anos relatou à Defensoria Pública que era mantido no local contra a vontade. A polícia também encontrou estoque irregular de psicotrópicos sem licença sanitária. A Operação Cura Terapêutica cumpriu 14 mandados em cinco cidades e bloqueou mais de R$ 1 milhão em bens.

A documentação obtida pelo Campo Grande News esclarece o motivo da prisão, informada mais cedo durante a operação. O auto registra Fábio e Marcos Pereira de Matos, de 48 anos, pelas mesmas duas acusações.

A acusação de cárcere surgiu durante entrevista da Defensoria Pública com um jovem, de 22 anos. Ele afirmou que permanecia na Vila Bethânia contra a vontade, não tinha autorização para deixar o estabelecimento e enfrentava dificuldades para falar com familiares. Ele pediu para continuar o relato em uma sala reservada.

O rapaz contou que passou cerca de dois anos ligado à outra clínica, em Fátima do Sul, e depois foi transferido para a Vila Bethânia. Durante o período de ressocialização, a família alugou e mobiliou um apartamento para que ele morasse fora da unidade. Ele também trabalhava como estagiário para a clínica sem receber pagamento.

Segundo o relato, uma recaída no uso de drogas levou Fábio e Marcos ao apartamento para exigir seu retorno. O jovem afirmou que os dois tentavam convencê-lo a permanecer na instituição sempre que ele manifestava intenção de sair. Em algumas dessas ocasiões, segundo o jovem, ele era obrigado a tomar medicamentos.

Já a acusação de tráfico decorreu dos medicamentos encontrados na Vila Bethânia. A fiscalização localizou um estoque de psicotrópicos sujeitos a controle especial, entre eles alprazolam, clonazepam, diazepam, estazolam e midazolam. A clínica não tinha licença sanitária necessária para guardar, utilizar e administrar esses produtos.

Um fiscal relatou que alguns medicamentos eram restritos a unidades hospitalares e que não havia profissional de saúde de nível superior habilitado para aplicá-los. A fiscalização apontou risco de superdosagem e intoxicação, além da falta de estrutura para socorro imediato. Os responsáveis também não apresentaram documentação que comprovasse a origem regular dos remédios.

Entenda – A Operação Cura Terapêutica investiga empresas que prestavam serviços de internação de dependentes químicos custeados pelo Poder Público. Como o Campo Grande News mostrou mais cedo, foram cumpridos 14 mandados em Dourados, Fátima do Sul, Deodápolis, Glória de Dourados e Ponta Porã.

A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 1 milhão em bens e valores ligados à investigação.



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