Bolsa despenca e dólar dispara após reeleição de Lula

O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte instabilidade à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na manhã desta segunda-feira (26), o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), chegou a registrar queda de 10%, levando à suspensão temporária das negociações. Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o indicador recuava...


O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte instabilidade à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na manhã desta segunda-feira (26), o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), chegou a registrar queda de 10%, levando à suspensão temporária das negociações. Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o indicador recuava 15,67%, aos 172.940,05 pontos, enquanto o dólar era negociado a R$ 5,44, depois de atingir R$ 5,60 na máxima do dia.

Apesar da forte desvalorização registrada ao longo do pregão, as perdas diminuíram em relação aos piores momentos da sessão. Na sexta-feira (23), antes da divulgação do resultado eleitoral, a moeda norte-americana havia fechado cotada a R$ 4,99. No início da tarde desta segunda, a valorização acumulada chegava a 8,97% em relação ao último fechamento.

A queda acentuada da Bolsa levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo de segurança utilizado para interromper temporariamente as negociações em momentos de desvalorização expressiva. A suspensão durou 30 minutos, após o Ibovespa atingir o limite inicial de queda de 10%.

O acionamento marcou o primeiro uso do mecanismo desde março de 2020, quando a pandemia de Covid-19 provocou sucessivas interrupções nos mercados, e também a primeira vez que uma eleição presidencial brasileira levou à adoção da medida.

Como funciona o circuit breaker

O mecanismo tem como objetivo conter movimentos extremos do mercado e oferecer um intervalo para que investidores reavaliem suas posições. Pelas regras da B3, a primeira suspensão ocorre quando o Ibovespa registra queda de 10% em relação ao fechamento do pregão anterior.

Se as negociações forem retomadas e a desvalorização atingir 15%, a Bolsa prevê uma nova interrupção, dessa vez por uma hora. Caso a queda chegue a 20%, a B3 poderá determinar uma terceira suspensão, por período definido pela própria instituição.

Os percentuais são calculados sempre com base no fechamento do pregão anterior, e não no valor registrado no momento da primeira interrupção. O mecanismo também não pode ser acionado nos últimos 30 minutos da sessão.

Varejo concentra as maiores perdas

As empresas ligadas ao consumo estavam entre as mais afetadas pela reação do mercado. Por volta das 13h20, as ações do Magazine Luiza recuavam 55,87%. Na sequência, apareciam C&A, com queda de 48,84%; Cosan, com 47,12%; e Hapvida, com desvalorização de 43,71%.

Bancos e construtoras também registravam perdas expressivas, em meio às preocupações com a possibilidade de manutenção de juros elevados por um período mais longo. Durante a manhã, os juros futuros chegaram a superar 16% ao ano nos contratos de vencimento mais longo, enquanto a taxa básica de juros, a Selic, estava em 13,75%, conforme os dados informados para o período.

Na direção contrária, empresas exportadoras registravam valorização, favorecidas pela alta do dólar. Por volta das 13h20, a Suzano avançava 9,01%, seguida pela Embraer, com alta de 7,45%; WEG, com 5,52%; e Vale, com 4,33%.

A valorização da moeda norte-americana pode favorecer empresas que recebem parte significativa de suas receitas em dólares. O efeito, no entanto, varia conforme a estrutura de custos, o endividamento e a exposição cambial de cada companhia.

Dívida pública e gastos estão entre as preocupações

A reação negativa dos investidores está relacionada às expectativas para a condução da política econômica no novo mandato de Lula. Entre os pontos de atenção estão o crescimento da dívida pública, o equilíbrio das contas do governo e o impacto fiscal das medidas anunciadas durante a campanha eleitoral.

O chamado pacote de bondades reúne propostas como reajustes no Bolsa Família, subsídios aos combustíveis, medidas para facilitar o pagamento de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) e o fim da escala de trabalho 6×1.

Segundo levantamento da IFI (Instituição Fiscal Independente), vinculada ao Senado, as medidas anunciadas pelo governo mobilizam R$ 298,4 bilhões em 2026, considerando linhas de crédito, renúncias fiscais e despesas públicas. O montante, porém, não corresponde integralmente a gastos adicionais do Tesouro Nacional.

A preocupação dos investidores está concentrada na forma como as medidas serão financiadas e em seus possíveis efeitos sobre as contas públicas, a inflação e as taxas de juros. A avaliação dessas variáveis influencia as decisões de investimento e a percepção de risco sobre os ativos brasileiros.

Com a definição do resultado eleitoral, o mercado passa a acompanhar as sinalizações do governo sobre a política fiscal e econômica, além das medidas que serão efetivamente implementadas. A trajetória da dívida pública e a capacidade de equilibrar despesas e receitas devem permanecer entre os fatores observados pelos investidores nos próximos meses.



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