Financiamento com BTG prevê conversão de 54 mil hectares para plantio florestal em MS
A Bracell contratou uma linha de financiamento de R$ 1,5 bilhão com o banco BTG Pactual para fazer a conversão de 54 mil hectares de áreas degradadas em cultivos de eucalipto em Mato Grosso do Sul.
A Bracell obteve financiamento de R$ 1,5 bilhão do BTG Pactual para converter 54 mil hectares de áreas degradadas em cultivos de eucalipto no Mato Grosso do Sul. Os recursos são provenientes do programa federal Eco Invest Brasil e serão destinados ao plantio, colheita, transporte e compra de equipamentos florestais no Cerrado, sem avanço sobre novas áreas de desmatamento.
Os recursos vêm do segundo leilão do programa federal Eco Invest Brasil, que utiliza o modelo blended finance, que combina dinheiro público subsidiado com capital privado para reduzir o custo da operação.
O projeto está focado no Cerrado e prevê a recuperação produtiva de áreas já antropizadas e que estavam enfrentando processo de degradação. Os recursos contratados serão destinados ao plantio de eucalipto, colheita, transporte e compra de equipamentos florestais.
Em post no LinkedIn, o vice-presidente de Sustentabilidade da companhia, Márcio Nappo, destacou que a parceria representa um marco significativo na evolução da estratégia climática da companhia, unindo a expertise financeira à robusta capacidade operacional para viabilizar execuções em larga escala.
“Inserida em um movimento global de direcionamento de capital para soluções de baixo carbono, a operação fortalece o mercado de finanças sustentáveis no Brasil ao conectar capital privado a projetos com impacto ambiental verificável e alto potencial de replicabilidade”.
Ele ressaltou que, no cerne dessa iniciativa, está o compromisso com a regeneração. “O projeto viabiliza a recuperação de aproximadamente 54 mil hectares de áreas degradadas, evitando a conversão de novas terras e restaurando funções ecológicas essenciais do solo. Para garantir a integridade do processo, a Bracell adota critérios técnicos rigorosos e uma governança estruturada, onde os impactos são acompanhados por indicadores de monitoramento, como o volume de carbono estocado e a área efetivamente recuperada, baseados em metodologias reconhecidas internacionalmente”.
O vice-presidente de Sustentabilidade ressaltou também, no post, que a operação demonstra, de forma prática, que é possível escalar a produção florestal mantendo a responsabilidade e a integridade socioambiental. Ao alinhar-se às tendências globais de descarbonização, a iniciativa não apenas reforça a capacidade da Bracell de executar projetos complexos com parceiros estratégicos, mas também evidencia a maturidade do setor florestal brasileiro. “O modelo concilia competitividade, rastreabilidade e conservação, posicionando a companhia e o país como protagonistas na transição para uma economia de impacto positivo.”
A sócia e diretora de ESG (ambiental, social e governança) do BTG, Rafaella Dortas, também no LinkedIn, destacou que a operação contou com a atuação integrada de diferentes áreas do banco: estruturação de crédito, comercial, risco de crédito, ALM (gestão de ativos e passivos) e jurídico, refletindo a complexidade, a sofisticação e a relevância de iniciativas dessa natureza.
“Mais do que uma operação financeira, essa transação reforça como é possível conciliar expansão produtiva, competitividade e sustentabilidade, promovendo o aumento da produtividade sem avanço sobre áreas de desmatamento, por meio de eficiência, inovação e melhores práticas de manejo florestal. Empresas como a Bracell vêm demonstrando capacidade de liderar iniciativas transformacionais com impacto positivo de longo prazo para o setor e para o país”.
A Bracell em MS
A Bracell possui projeto para instalação de uma indústria de produção de celulose em Bataguassu (MS), na região leste de Mato Grosso do Sul. Segundo o RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) do empreendimento, o investimento previsto é de R$ 16 bilhões.
O RIMA aponta que o projeto poderá contar com duas linhas de fabricação. A primeira produzirá celulose kraft, utilizada na fabricação de papel, com capacidade entre 2,8 milhões e 2,9 milhões de toneladas por ano.
Já a segunda linha prevê a produção de 1,460 milhão de toneladas anuais de celulose kraft e mais 1,147 milhão de toneladas de celulose solúvel, totalizando 2,607 milhões de toneladas por ano.
A construção da fábrica deve gerar, no pico das obras, cerca de 12 mil postos de trabalho. Na fase de operação, a estimativa é de aproximadamente 2 mil empregos diretos. A unidade deverá consumir cerca de 12 milhões de metros cúbicos de madeira por ano.
O projeto já obteve a Licença Prévia expedida pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e aguarda a Licença de Instalação para o início das obras.
O grupo empresarial RGE (Royal Golden Eagle), do qual a Bracell faz parte, já atua em Mato Grosso do Sul na silvicultura de eucalipto por meio da MS Florestal.