Broca-do-caroço ameaça produção de mangas e motiva novo controle nacional

Sem ocorrência em Mato Grosso do Sul, inseto será alvo de vigilância anual e restrições ao transporte de fruto Sternochetus mangiferae é uma praga exclusiva dessa fruta e o seu ciclo de vida engloba três fases: larva, pupa e adulta; as formas jovens se desenvolvem silenciosamente dentro do endocarpo (caroço), o que dificulta muito sua...


Sem ocorrência em Mato Grosso do Sul, inseto será alvo de vigilância anual e restrições ao transporte de fruto

Sternochetus mangiferae é uma praga exclusiva dessa fruta e o seu ciclo de vida engloba três fases: larva, pupa e adulta; as formas jovens se desenvolvem silenciosamente dentro do endocarpo (caroço), o que dificulta muito sua descoberta (Foto: RuralTecTV)

Mato Grosso do Sul terá de realizar levantamentos anuais para verificar se está livre da broca-do-caroço-da-manga, inseto que se desenvolve dentro da semente da fruta e pode provocar perdas na produção e restrições ao comércio.

Mato Grosso do Sul deverá realizar levantamentos anuais para verificar a ausência da broca-do-caroço-da-manga, praga que ataca mangueiras e pode causar perdas na produção e restrições comerciais. A exigência integra programa nacional criado pelo Ministério da Agricultura, publicado no Diário Oficial nesta terça-feira (4). O inseto está restrito ao Amapá e ao Rio de Janeiro e ainda não foi registrado no estado.

A exigência faz parte do programa nacional de prevenção e controle da praga, criado pelo Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) em portaria publicada no DOU (Diário Oficial da União) desta terça-feira (4).

Não há registro oficial da broca em Mato Grosso do Sul. Segundo informações atualizadas pelo Ministério da Agricultura, a presença do inseto está restrita aos estados do Amapá e do Rio de Janeiro.

A nova norma, porém, determina que todos os estados onde a praga ainda não ocorre façam buscas anuais para detectar uma eventual entrada do inseto. Em Mato Grosso do Sul, o trabalho deverá envolver os órgãos responsáveis pela defesa sanitária vegetal.

A broca, de nome científico Sternochetus mangiferae, ataca exclusivamente mangueiras. As fêmeas depositam os ovos na superfície das mangas ainda jovens. Depois de nascer, a larva atravessa a polpa e se instala no caroço, onde se alimenta e completa parte do desenvolvimento.

Como grande parte do ciclo ocorre dentro da fruta, a presença do inseto pode passar despercebida. Os sinais externos incluem pequenos pontos escuros e um orifício arredondado formado quando o inseto adulto deixa o caroço.

A infestação pode causar queda precoce das mangas, apodrecimento, perda de qualidade e redução do valor comercial. Também pode levar à imposição de barreiras sanitárias para a venda e o transporte da produção.

O programa entrará em vigor 180 dias após a publicação. Os órgãos estaduais deverão enviar ao governo federal relatórios com as ações realizadas e os resultados dos levantamentos.

Principal risco – A principal forma de propagação da broca é o transporte de mangas contaminadas. O inseto possui baixa capacidade de voo e costuma permanecer no próprio pomar ou em áreas próximas.

Por isso, o programa cria regras para impedir que frutos, mudas e outros materiais de mangueira saiam de regiões contaminadas em direção a estados ou áreas oficialmente livres.

A portaria proíbe o transporte de materiais vegetais produzidos em estados com ocorrência da praga para unidades da federação livres, como Mato Grosso do Sul. A exceção será para produtos vindos de áreas formalmente reconhecidas como livres dentro desses estados.

Nesses casos, a carga deverá ter PTV (Permissão de Trânsito de Vegetais), acompanhada de certificado que comprove a origem.

Já as mangas produzidas em estados sem ocorrência oficial ficarão dispensadas dessa documentação específica. As frutas, no entanto, deverão ser transportadas em embalagens descartáveis ou em caixas reutilizáveis lavadas e sem restos vegetais.

A broca foi detectada no Brasil em 2014. No Rio de Janeiro, os registros ocorreram em áreas não comerciais de municípios da região metropolitana.

Em julho de 2024, o inseto também foi confirmado no Amapá. Segundo análise técnica do Ministério da Agricultura, a nova ocorrência levou o governo federal a criar um programa nacional para reduzir o risco de disseminação.

Até o momento, o órgão afirma que a praga não foi identificada em áreas brasileiras de produção comercial de manga.



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