Ofício também pede câmeras, controle de acesso, alarmes e protocolos de segurança em todos os campi
Sinasefe-MS (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica) cobrou do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), a instalação de detectores de metais e a revisão das medidas de segurança nos campi. O pedido foi formalizado por ofício depois que um estudante de 16 anos levou uma arma falsa na mochila para o Campus Jardim, a 236 quilômetros de Campo Grande. A entidade quer que o instituto identifique vulnerabilidades e padronize a resposta a ameaças, conflitos e presença de objetos que possam oferecer risco.
O Sinasefe-MS cobrou do IFMS a instalação de detectores de metais e revisão das medidas de segurança nos campi após um estudante de 16 anos levar uma arma falsa ao Campus Jardim. O sindicato quer protocolos padronizados, câmeras, controle de acesso e capacitação para emergências. A Reitoria do IFMS não respondeu aos questionamentos até a publicação da matéria.
A lista apresentada pelo sindicato vai além dos detectores de metais. O documento cita câmeras de monitoramento, controle de acesso por identificação eletrônica, portões automatizados, alarmes, rádios comunicadores, iluminação externa e cercamento das unidades. Também aparecem entre as sugestões o monitoramento em tempo real, dispositivos para acionamento rápido das forças de segurança e sinalização de rotas de fuga.
O pedido abre uma discussão sobre os protocolos que o próprio IFMS afirmou ter acionado no episódio de Jardim. No dia da ocorrência, a direção do campus informou ao Campo Grande News que adotou os “protocolos institucionais previstos para esse tipo de ocorrência”, mas não detalhou quais eram os procedimentos. Agora, o sindicato pede justamente que a Reitoria informe se há regras padronizadas para todos os campi e como servidores e alunos devem agir diante de uma situação semelhante.
Em uma carta enviada à comunidade acadêmica, a entidade afirmou que o fato de o objeto não ser uma arma verdadeira não elimina a preocupação com a segurança.
“Situações dessa natureza evidenciam a necessidade de que a instituição disponha de protocolos claros, preventivos e uniformes, estabelecendo as providências a serem adotadas pelas equipes gestoras e pelos servidores diante de situações que possam representar risco à comunidade acadêmica”. A entidade também defendeu orientações específicas aos estudantes e capacitação para equipes responsáveis por situações de emergência.
O episódio ocorreu por volta das 10h30 de quarta-feira no Campus Jardim. Conforme reportagem publicada pelo Campo Grande News, outro estudante percebeu um barulho diferente vindo da mochila do adolescente e comunicou a situação à direção, que chamou a PM (Polícia Militar) e os responsáveis pelo aluno. Dentro da mochila havia um objeto semelhante a uma pistola, que poderia ser confundido com uma arma verdadeira.
O adolescente afirmou que pegou a arma falsa no local onde trabalhava porque pretendia desmontá-la em casa para conhecer o funcionamento do objeto. Ele disse que esqueceu de retirá-la da mochila antes de seguir para o instituto e negou ter mostrado o item aos colegas ou ameaçado alguém. O estudante foi levado com os pais à delegacia, enquanto a direção informou que passou a acompanhar o caso.
A cobrança atual também retoma uma discussão que chegou à Reitoria há mais de três anos. Em abril de 2023, o próprio Sinasefe-MS pediu um relatório detalhado sobre as condições de segurança dos campi depois da descoberta de um plano de ataque no Campus Coxim. Na época, três adolescentes trocaram mensagens sobre ataques contra colegas homossexuais, tiveram aparelhos eletrônicos recolhidos durante a apuração e foram afastados das atividades presenciais.
A investigação daquele episódio encontrou ainda uma adaga na casa de um dos envolvidos e apontou que o ataque estava previsto para ocorrer naquele mês. O IFMS solicitou rondas da PM nas proximidades do campus, afastou os estudantes e informou que abriria procedimento interno para analisar o caso. A então reitora Elaine Cassiano também se reuniu com a PF (Polícia Federal) para discutir medidas de segurança.
Dias depois, o instituto criou um formulário on-line para denúncias de violência escolar, com possibilidade de envio de imagens, vídeos, áudios e outros documentos. A ferramenta permitia que o denunciante indicasse qualquer um dos dez campi ou a Reitoria e descrevesse a ameaça identificada. As informações sobre os campi seriam encaminhadas diretamente às respectivas direções.
O Campo Grande News procurou a Reitoria do IFMS para saber quais protocolos estão em vigor, se as regras são iguais nos dez campi e se existe estudo para instalar detectores de metais ou os demais equipamentos citados no documento. A reportagem também perguntou se o episódio de Jardim provocará mudanças imediatas na segurança das unidades e quais providências foram tomadas desde as cobranças feitas em 2023. A Reitoria não respondeu até a publicação desta matéria.