Chefe antidrogas chama de “golpe” ação contra aliados de deputado morto

Quatro integrantes da Senad são acusados de vazar dados e favorecer grupo de Lalo Gomes O ministro da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai, Jalil Rachid. (Foto: Reprodução/ABC Color) O ministro da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai, Jalil Rachid, chamou de “golpe” contra sua gestão as acusações de que quatro integrantes da cúpula do...


Quatro integrantes da Senad são acusados de vazar dados e favorecer grupo de Lalo Gomes

O ministro da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai, Jalil Rachid. (Foto: Reprodução/ABC Color)

O ministro da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai, Jalil Rachid, chamou de “golpe” contra sua gestão as acusações de que quatro integrantes da cúpula do órgão vazaram informações e ajudaram a proteger a organização atribuída ao ex-deputado Eulalio Gomes, o Lalo Gomes.

O ministro da Senad do Paraguai, Jalil Rachid, classificou como “golpe” as acusações contra quatro integrantes do órgão suspeitos de vazar informações e proteger a organização do ex-deputado Lalo Gomes. A investigação envolve o diretor-geral Hugo Baptista, o diretor de Inteligência Cristian Amarilla, a chefe de investigações Alicia Vázquez, o coronel Aldo Pintos e Helga Solís, sobrinha de Lalo Gomes. Lalo morreu em agosto de 2024 durante ação policial no Paraguai.

Em entrevista à rádio 1080 AM nesta terça-feira (15), Rachid também atacou a atuação do Ministério Público paraguaio. A reação ocorreu horas depois de buscas e ordens de prisão em Pedro Juan Caballero, cidade vizinha de Ponta Porã, a 313 quilômetros de Campo Grande.

Rachid afirmou que as denúncias partiram de ex-integrantes da Senad retirados por ele da instituição e relacionou o caso a uma estrutura antiga do órgão. Segundo o ministro, os alvos atuais foram colocados nos cargos durante sua gestão. Ele também acusou uma promotora-adjunta de exercer influência sobre os responsáveis pela investigação, mas não apresentou provas para sustentar a afirmação.

A investigação atinge o diretor-geral antidrogas Hugo Derlis Baptista Báez, o diretor de Inteligência Cristian Porfirio Amarilla Cabaña, a chefe do Departamento de Investigação do Crime Organizado Alicia Marlene Vázquez Samaniego e o coronel Aldo Osmar Pintos Martínez, ex-comandante das Forças Especiais da Senad. A quinta investigada é Helga Lizany Concepción Solís Gómez, sobrinha de Lalo Gomes e assistente do Ministério Público.

Segundo o Ministério Público paraguaio, Helga atuou entre 2019 e 2023 como pessoa de confiança do grupo de Lalo Gomes. A investigação aponta que ela usava a função no sistema de Justiça para obter informações, interferir em processos e buscar decisões favoráveis a integrantes e aliados da organização. Os investigadores também atribuem a ela contatos com promotores, juízes e defensores para impedir o avanço de casos que atingissem o grupo.

Um dos episódios citados ocorreu em dezembro de 2023, durante a Operação Sanctus, que tentou prender o brasileiro Ronaldo Mendes Nunes. Conforme a investigação, Helga teria informado Lalo Gomes e o primo Alexandre Rodrigues Gomes sobre a ação antes da chegada das equipes. Depois da fuga de Ronaldo, ela teria procurado integrantes da Senad para retirar elementos capazes de relacionar Lalo ao episódio.

A suspeita também alcança integrantes da própria Senad. O Ministério Público afirma que Hugo Baptista manteve conversas com Lalo antes e depois da operação que terminou com a fuga de Ronaldo. Aldo Pintos teria fornecido informações internas do órgão, enquanto Cristian Amarilla é acusado de repassar dados sobre investigações de tráfico e ajudar a impedir a prisão do brasileiro.

Cristian Amarilla também aparece em outra frente da investigação. Segundo os responsáveis pelo caso, ele participou de um relatório da Operação Pavo Real 1 que deixou de mencionar Lalo Gomes, apesar de dados que relacionavam o então deputado a um imóvel investigado por ligação com Jarvis Chimenes Pavão. Alicia Vázquez, subordinada a Amarilla, é acusada de omitir a mesma informação durante a análise sobre bens e pessoas ligadas ao traficante.

A sobrinha de Lalo também é relacionada a episódios anteriores. Em 2019, segundo o Ministério Público, Helga teria atuado para alterar informações de um procedimento contra Kadú Cezar Machado, apontado no Paraguai como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital). Os investigadores afirmam que a mudança buscava reduzir a gravidade do caso e permitir que ele permanecesse fora da prisão durante o processo.

Helga não foi encontrada durante a busca realizada em sua casa em Pedro Juan Caballero. Cristian Amarilla apresentou-se às autoridades nesta terça-feira acompanhado de advogado. Até a tarde, Hugo Baptista, Aldo Pintos e Alicia Vázquez ainda não haviam se apresentado.

Lalo Gomes morreu em agosto de 2024 durante uma ação policial em sua casa, no Paraguai. As investigações feitas desde então a partir de mensagens encontradas em seus aparelhos deram origem a novas apurações sobre a relação do ex-deputado com servidores públicos, integrantes da Senad e pessoas investigadas por tráfico de drogas.



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