Moradores da Marçal de Souza e crianças da comunidade preparam decoração para acompanhar Éderson na Seleção
As primeiras fitas verdes e amarelas já começaram a aparecer pelas ruas da Aldeia Urbana Marçal de Souza, no Bairro Tiradentes. Mas, diferente de outros anos, a decoração não tem apenas a Copa do Mundo como motivo. Desta vez, a torcida tem nome, sobrenome e raízes na comunidade.
A Aldeia Urbana Marçal de Souza, no bairro Tiradentes, em Campo Grande, já se prepara para a Copa do Mundo de 2026 com motivação extra: o volante Éderson dos Santos, descendente do povo terena e criado na comunidade, foi convocado para a Seleção Brasileira. Moradores enfeitam as ruas e celebram a convocação como símbolo de orgulho e representatividade indígena no maior torneio de futebol do mundo.
Convocado para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, o volante campo-grandense Éderson dos Santos passou a mobilizar moradores da aldeia, que enxergam no jogador um motivo extra para acompanhar o Mundial. Descendente do povo terena, ele se tornou símbolo de orgulho e representatividade para a comunidade, que já começou os preparativos para os jogos do Brasil.
No Memorial da Cultura Indígena, as bandeirinhas que começam a colorir a aldeia nasceram da insistência das próprias crianças. “Foi mais por causa delas”, conta a gestora do memorial, Maria Auxiliadora Bezerra, de 54 anos.
“As crianças começaram a perguntar se a gente não ia fazer nada. Hoje são cerca de dez participando. Elas fazem as fitas e nós ajudamos a colocar.”
Segundo ela, a mobilização ganhou força após a confirmação da convocação de Éderson. “A comunidade abraçou a ideia. A gente sempre torce pelo Brasil, mas agora temos um motivo a mais. Um terena foi convocado para a Seleção Brasileira.”
Maria afirma que a presença do volante no elenco brasileiro tem um significado que vai além do futebol.
“Muita gente não sabe, mas o Éderson é um filho aqui da região do Tiradentes e também é terena. É um legítimo indígena representando o Brasil. Isso nos enche de orgulho.”
Enquanto as crianças penduram as bandeirinhas, o artesão e pesquisador de história indígena John Gones, de 43 anos, já conta os dias para a estreia da Seleção. “É um momento muito importante para a Aldeia Marçal de Souza participar dessa festa e compartilhar esse espírito de união que a Copa traz”, afirma.
Apaixonado por futebol desde a infância, John diz que a convocação tornou a competição ainda mais especial para a comunidade. “A gente torce pelos jogadores da Seleção, mas principalmente pelo nosso parente. O Éderson morava aqui ao lado, a família dele continua morando aqui no Tiradentes. Existe uma identificação muito grande.”
Para ele, ver um descendente terena vestir a camisa do Brasil no maior torneio de futebol do planeta representa algo que ultrapassa as quatro linhas. “Isso aproxima as crianças do esporte e mostra que elas também podem sonhar. Quando alguém com uma história parecida com a delas chega tão longe, a gente passa a acreditar ainda mais.”
A expectativa também aumentou dentro da aldeia. “Estou confiante. A cada dia que a Copa se aproxima, a gente acredita mais. Tem o Vinícius Júnior, o Endrick, o Raphinha, grandes jogadores, e agora o Éderson faz parte desse grupo. Parece que desta vez estamos mais esperançosos.”
Na Marçal de Souza, a torcida pelo Brasil continua a mesma. Mas os moradores admitem que o sentimento ganhou uma camada especial desde domingo, quando a convocação foi anunciada. Pela primeira vez, muitos sentem que um pedaço da própria comunidade também estará em campo.



