Projeto reúne lideranças Guarani e Kaiowá, músicos britânicos e chega a 5 mil lojas neste sábado (18)
Lideranças espirituais Guarani e Kaiowá de Mato Grosso do Sul participam do álbum Shamans in Space, projeto internacional que reúne cantos tradicionais, rap indígena e música eletrônica. O disco será lançado em vinil neste sábado (18), com distribuição internacional em cerca de 5 mil lojas, segundo os organizadores. Nas plataformas digitais, o lançamento está previsto para 1º de maio.
Lideranças espirituais Guarani e Kaiowá de Mato Grosso do Sul participam do álbum Shamans in Space, que une cantos tradicionais, rap indígena e música eletrônica. O disco será lançado em vinil neste sábado (18), com distribuição em cerca de 5 mil lojas no mundo. Todos os royalties serão destinados aos rezadores participantes. O projeto é resultado de parceria entre a University College London e universidades brasileiras.
O trabalho reúne rezadores e rezadoras de comunidades do Cone Sul do Estado com artistas internacionais. Entre os participantes está Kelvin Mbaretê, integrante do Brô MC’s, apontado pelos organizadores como o primeiro grupo de rap indígena do Brasil.
Entre os nomes estrangeiros está o produtor britânico Martin “Youth” Glover, citado no projeto por trabalhos ligados a Paul McCartney e pela produção do último álbum do Pink Floyd, além de colaborações com Guns N’ Roses, U2 e The Verve. Também participam Matt Black e Tymon Dogg.
Segundo a organização, as lideranças indígenas conduziram o processo criativo, definindo limites e autorizando quais cantos poderiam ser utilizados no álbum. Parte das faixas mistura bases eletrônicas com cantos tradicionais liberados para experimentação.
Já as rezas consideradas sagradas foram preservadas sem alterações. No encarte do vinil, um QR Code dará acesso a cerca de 15 minutos desses registros em formato original.
Para Kelvin Mbaretê, o lançamento amplia a visibilidade da pauta indígena. “Antes, nossa luta era ouvida só aqui. Hoje, com a música, o mundo começa a ouvir”, afirmou.
A pesquisadora Fabi Fernandes, uma das coordenadoras, afirmou que a proposta buscou garantir protagonismo às comunidades. “Eles são os diretores de tudo. A decisão final é sempre deles”, disse.
Conforme os organizadores, todos os royalties serão destinados aos rezadores e rezadoras Guarani e Kaiowá, com foco na preservação e continuidade dos cantos tradicionais.
Shamans in Space é resultado do projeto Sounding Futures, desenvolvido em parceria entre University College London, Instituto para o Desenvolvimento da Arte e da Cultura (IDAC) e Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul.


