Em vídeo, Xamã elogia pioneirismo do Brô MCs em subgênero do rap

Grupo indígena de Dourados mistura língua originária e batida criada na Europa “São únicos, autênticos.” O cantor Xamã não mediu elogios aos músicos indígenas sul-mato-grossenses Brô MCs. Em um vídeo postado nas redes sociais, ele explica que o grupo é o primeiro a fazer drill (subgênero do rap) com flow (cadência, velocidade, pausas e entonação) em...

Grupo indígena de Dourados mistura língua originária e batida criada na Europa

“São únicos, autênticos.” O cantor Xamã não mediu elogios aos músicos indígenas sul-mato-grossenses Brô MCs. Em um vídeo postado nas redes sociais, ele explica que o grupo é o primeiro a fazer drill (subgênero do rap) com flow (cadência, velocidade, pausas e entonação) em língua Guarani Kaiowá.

O cantor Xamã elogiou os músicos indígenas Brô MCs, descrevendo-os como únicos e autênticos. Em parceria, os artistas criaram o primeiro drill com flow na língua Guarani Kaiowá. O Brô MCs surgiu nas aldeias de Dourados e é pioneiro do rap indígena no Brasil, com letras sobre território e resistência. O grupo se apresentou no Rock in Rio 2022 e já colaborou com o DJ Alok.

“Eu gosto de coisas autênticas. Faz parte do brasileiro. Você vai no Sul, tem uma galera que faz rap que entende a sua realidade, galera no Norte a mesma coisa, no Nordeste. O rap é isso: a união.”

Ele explica que o drill é um gênero que surgiu nas ruas de Londres há menos de uma década. Segundo o próprio rapper,  isso é inédito. “O que é mais da hora de fazer um som com o Brô é fazer um drill na língua deles. É a primeira vez que alguém faz isso junto com flow.”

A conexão entre os artistas começou em 2021. “Conheci o Brô e a gente começou a fazer umas músicas, rimas. Sempre fui muito curioso com formas de rimar. A gente foi pro estúdio e fluiu. Coisa de MC: não importa de onde vem, parece que a gente se conhece há muito tempo”.

Xamã, nome artístico de Geizon Fernandes, nasceu no Rio de Janeiro e construiu carreira a partir das batalhas de rima, antes de alcançar o grande público com músicas que misturam rap, poesia e influências da música brasileira. Ao longo dos anos, ampliou sua presença para além da música, incluindo trabalhos como ator, o que ajudou a consolidar sua imagem como um artista versátil.

Para quem não conhece, o Brô MCs surgiu nas aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados, e é considerado pioneiro do rap indígena no Brasil. Suas letras tratam de território, resistência e cotidiano nas comunidades Guarani Kaiowá.

O grupo se apresentou no Rock in Rio 2022, inclusive como convidado do Xamã. No palco, o grupo manteve o que sempre fez desde 2009: rap com identidade indígena, misturando português e Guarani Kaiowá. Quando o grupo subiu no palco, não houve adaptação para agradar o público. Não suavizaram o discurso, não “traduziram” tudo. Cantaram do jeito deles.

O Brô já vinha construindo esse caminho há anos. Antes do Rock in Rio, eles já tinham passado por festivais, eventos políticos como o Acampamento Terra Livre e outras apresentações nacionais e internacionais. Eles também já fizeram faixas com o DJ Alok.



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