Farmacêuticos foram presos suspeitos de fraude em compra de remédios de alto custo
O esquema de desvios de recursos da Saúde para a compra de medicamentos de alto custo que movimentou R$ 78 milhões está ligado a farmácias “acima de qualquer suspeita”, nenhuma delas vinculadas a grandes redes. Uma delas fica numa das principais ruas do Bairro Coophavilla 2, em Campo Grande, e a outra, em Ribas do Rio Pardo.
Dois farmacêuticos donos de estabelecimentos em Campo Grande e Ribas do Rio Pardo foram presos na Operação OncoJuris, que investiga desvio de R$ 78 milhões da Saúde para compra de medicamentos superfaturados, alguns sem registro sanitário. Reginaldo Pereira dos Santos e Luiz Henrique Marino integram grupo que também inclui dois advogados e um ex-servidor da Secretaria de Estado de Saúde, todos investigados por organização criminosa, falsidade documental, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.
As empresas pertencem a dois farmacêuticos investigados na Operação OncoJuris, que desvendou estratégia para manipular decisões judiciais, inflar contratos e viabilizar a compra de remédios com preços superfaturados, alguns deles sem registro sanitário.
Nesta quinta-feira (23), a força-tarefa foi às ruas em busca de provas contra o esquema em endereços no Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. A ofensiva também prendeu cinco pessoas, entre elas o farmacêutico Reginaldo Pereira dos Santos, de 54 anos.
Ele é dono da Drogaria Vitória, no Jardim Ouro Verde, região da Coophavilla 2, empresa com cadastro ativo desde 2012. No mesmo endereço, ele mantém a Medic Import, aberta em julho de 2025. A empresa se apresenta na internet como importadora de medicamentos auxiliando “pacientes em todo o Brasil”, com suporte completo, transparência e comodidade”. No CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), tem como atividade econômica principal o “agenciamento de serviços e negócios em geral”.
À Justiça, apesar de ser dono das duas empresas, Reginaldo declarou renda de R$ 4 mil. O farmacêutico passou por audiência de custódia nesta sexta-feira (24) e permanecerá preso. Contra ele, pesou mandado de prisão temporária com prazo de 5 dias.
Mais detalhes sobre a participação de cada um dos investigados no esquema não foram divulgados. O advogado de Reginaldo, Anderson Benites, informou que a defesa ainda não teve acesso aos autos, mas diz confiar na inocência do cliente. “Ao final tudo será esclarecido”.
Também preso na operação foi o farmacêutico Luiz Henrique Marino, de 50 anos. Apontado como integrante da organização criminosa investigada, com atuação ligada ao fornecimento ou intermediação da compra de medicamentos, ele é dono da Multidrogas, em Ribas do Rio Pardo.
Em 2024, “Henrique da Farmácia” foi candidato a vereador pelo PL (Partido Liberal) na cidade do interior, obteve 381 votos, mas não foi eleito. Nesta sexta, ele também foi mantido em cárcere após a audiência que avaliou a legalidade da prisão e declarou renda de cerca de R$ 4,5 mil ao Judiciário.
A operação – Além de Reginaldo e Luiz Henrique, a OncoJuris também prendeu advogados Altair Penha Malhada, de 40 anos, e Victor Guilherme Lezo Rodrigues, 27. O quinto investigado é o ex-servidor Guilherme de Oliveira Neto, de 37 anos. Ele ocupava cargo de direção e assessoramento na SES (Secretaria de Estado de Saúde), com salário superior a R$ 10 mil, e no ano passado representou a Superintendência de Relações Intersetoriais em programa de integridade criado pela secretaria. O objetivo do projeto era melhorar a transparência na gestão dos recursos da Saúde.
Guilherme deixou o serviço público a pedido, conforme publicação em Diário Oficial, em junho do ano passado e passou a ocupar cargo de diretor comercial em empresa de medicamentos com remuneração de R$ 20 mil, conforme ele mesmo declarou hoje à Justiça.
Segundo as investigações, o grupo teria movimentado milhões lucrando com irregularidades na compra de medicamentos de alto custo, principalmente para tratamento de câncer.
Os cinco são investigados pelos crimes de organização criminosa, falsidade documental, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e irregularidades na área da saúde.
A reportagem consultou a defesa de Luiz Henrique e aguarda retorno. O espaço segue aberto para manifestações dos demais citados.

