
Os registros mais antigos do que pode ser o começo da matemática remontam ao período pré-histórico, muito antes do surgimento da escrita. Existe um artefato, chamado “Osso de Ishango”, descoberto na África Central. É feito de osso de macaco e apresenta marcas que talvez tenham representado grupos de números. Imaginam que servia para contar objetos ou marcar ciclos lunares. A outra teoria sobre o que representa esse osso é que ele servia para contar animais caçados e medir a quantidade de alimentos. Mas são tão somente teorias. As primeiras cidades do Irã, Iraque e Turquia. Com a construção das primeiras cidades no Irã, Iraque e Turquia, ocorreu uma transformação profunda na vida humana. Os humanos passaram a domesticar animais e plantas. Nessas cidades, com alguns poucos milhares de pessoas, surgiu a matemática. Desempenhava um papel central na organização e eficiência das novas comunidades agrícolas. Medindo terras. Uma das primeiras aplicações práticas da matemática foi a necessidade de medir terras. À medida que a agricultura exigia a divisão de campos para cultivo, tornou-se crucial estabelecer métodos para calcular áreas e garantir a justa distribuição de recursos. Os sistemas de medição eram rudimentares, utilizavam cordas e estacas para marcar os limites de campos e pastagens. Servia principalmente para evitar conflitos entre os membros da comunidade. E foi assim que, logo a seguir, passaram a contabilizar os estoques de alimentos para períodos de escassez e registrar excedentes para troca ou comércio. Essa matemática inicial era escrita nas famosas tabuinhas de argila ou em pedras. A matemática e a medição de terras no MS. Essa não é a história da medição de terras no MS. E nem da matemática. Os pioneiros que aqui chegaram vinham de São Paulo, Minas Gerais e Poconé. Eles já traziam conceitos, ainda que rudimentares, da matemática europeia. Todavia, nem um deles media terras para nelas se estabelecer ou para parentes e amigos. Por inacreditável que possa parecer, eles “demarcavam” terras usando “acidentes geográficos” como rios, córregos, montes e até algo que hoje soa como ridículo: árvores. “Minha terra vai daquele riacho até aquela peroba”, é uma medição que soa ridícula, mas era comum. Uma explicação para essa forma tão tosca de medir terras é a quase inexistência de humanos, tanto brancos como indígenas, em uma imensidão de terras. A matemática indígena do MS. Os diferentes povos indígenas brasileiros utilizavam sistemas numéricos próprios. Algumas etnias usavam uma matemática de base 5 ou 3, enquanto outras, como os guaranis, usavam base 20. Nós brancos, usamos o sistema decimal, com apenas dez números para fazer contas, eles usavam vinte números. A contagem estava ligada a necessidades práticas, como na agricultura, observação do tempo e calendário agrícola. Melhor conhecimento que o da matemática simples era na arquitetura e engenharia. A construção de casas, pontes e choças comunitárias demonstra que entendiam bem de proporção, sabiam fazer medições (usavam os braços como medida) e geometria espacial.
Source link
Medindo terras, criaram a matemática. Não foi assim no MS
Os registros mais antigos do que pode ser o começo da matemática remontam ao período pré-histórico, muito antes do surgimento da escrita. Existe um artefato, chamado “Osso de Ishango”, descoberto na África Central. É feito de osso de macaco e apresenta marcas que talvez tenham representado grupos de números. Imaginam que servia para contar objetos...