Vídeo gravado pelas irmãs Cecília e Tereza transformou o sonho de andar a cavalo com a cantora em incentivo
Todo dia, antes de chegar à escola, a pergunta é a mesma. “Mãe, a Ana já respondeu?”. A resposta continua sendo não. Mas a insistência de Cecília, de 8 anos, e Tereza, de 6, já conseguiu algo que nem elas imaginavam: transformar um sonho de criança em uma campanha para levar livros às escolas pantaneiras.
Moradoras de Campo Grande, mas com o coração dividido entre a cidade e a fazenda da família, na região da Nhecolândia, as irmãs gravaram um vídeo convidando Ana Castela para conhecer o Pantanal onde passam boa parte das férias. A publicação viralizou, já soma quase 100 mil visualizações e ganhou apoio de famosos nas redes sociais.
Mas o convite veio com uma condição criada pela mãe, a administradora Izabel Coelho Lima e Jurgielewicz Cavalheiro, de 37 anos.
Se o vídeo alcançasse uma grande mobilização, ela tentaria fazer o convite chegar até a cantora. Em troca, a família arrecadaria mil livros infantis para três escolas pantaneiras: Primavera, Tupaceretã e Instituto Rural Escola das Águas.
“Eu falei: vocês podem tentar chegar na Ana, mas vão ter que fazer alguma coisa em troca.”
A paixão das meninas pela boiadeira começou dentro de casa. Foram a tia e uma prima que apresentaram as músicas e, desde então, Ana Castela virou trilha sonora obrigatória. “Todo dia, no carro, nossa playlist é Ana Castela. Ela lança uma música e as meninas decoram na mesma hora.”
A primeira canção que cada uma aprendeu foi diferente. Tereza se apaixonou por Dona de Mim. Cecília decorou RAM Tchum. Hoje, segundo a mãe, elas gostam praticamente de todas.
O que encanta as meninas é o jeito simples da cantora e a ligação dela com o campo. “As músicas, o jeito simples e ela andar a cavalo”, conta Izabel.
Essa identificação não é por acaso. Todos os meses, a família segue para a fazenda no Pantanal e passa por lá praticamente todas as férias escolares. No campo, as irmãs vivem uma rotina bem diferente da cidade: montam a cavalo, acompanham os peões, ajudam a levar sal para o gado, dirigem quadriciclo, participam das atividades da fazenda e até pescam nas baías.
“Com certeza. Acho que a Ana representa essa vida simples, uma menina moleca, como meu avô dizia, e bem como as meninas são criadas.”
O pedido para conhecer a cantora começou antes da Expogrande de 2024. “Confesso que não dei muita moral e nem levei as meninas no show. Eu as achava pequenas ainda e que logo essa paixão pela Ana iria passar.”
Não passou. No ano seguinte, elas finalmente foram ao show, em Campo Grande. Cecília assistiu praticamente a apresentação inteira nos ombros do pai. Já Tereza saiu do evento com um pedido inesperado. “Mamãe, quero vir no show dela todo dia.”
O assunto continuou fazendo parte da rotina. “Todos os dias perguntam se a Ana já respondeu a mensagem e pedem para eu enviar outra.”
Então Izabel resolveu transformar o pedido repetido em desafio. O primeiro vídeo foi gravado com Cecília montada a cavalo, mas acabou descartado. “Ela disse que não conseguiu fazer o cavalo parar e não dava para ouvir o que ela falava.”
A solução foi gravar novamente, desta vez na beira de uma baía pantaneira. Em poucas horas, a campanha já havia alcançado a meta de compartilhamentos e também recebeu comentários de pessoas conhecidas nas redes sociais.
“Quando elas saíram da escola, já tínhamos batido a meta dos compartilhamentos e dos comentários de famosos. Elas ficaram felizes demais, gritaram no carro.”
A meta de curtidas, porém, continua em aberto. Enquanto isso, Izabel torce para que a campanha também ajude outra causa que considera urgente.
A ideia de arrecadar livros nasceu da própria ligação da família com o Pantanal. Izabel é a quinta geração de uma família tradicional da Nhecolândia e conhece de perto os desafios enfrentados pelas comunidades da região. “Eu sempre quis fazer algo pela nossa comunidade.”
Ao longo dos anos, já organizou arrecadações de roupas e livros. Desta vez, decidiu aproveitar a mobilização em torno da Ana Castela para fortalecer escolas que seguem funcionando no Pantanal. Segundo ela, muitas escolas pantaneiras deixaram de existir e isso ameaça tradições que sempre fizeram parte da vida na região.
Precisamos pensar e dar um jeito de manter nossas tradições e entender que as escolas pantaneiras são importantes para isso, para manter as futuras gerações aqui ainda. E os livros têm papel importante na criação das crianças.
Se a campanha chegar até Ana Castela, as meninas já sabem exatamente o roteiro. Querem mostrar os animais, cavalgar juntas e levar a cantora para pescar piranhas. O convite continua de pé.
“Ana, vem para o Pantanal, você vai amar. Vamos te mostrar nossas éguas e como é lindo aqui. Amamos você”, finalizam as meninas.
Para curtir o vídeo das meninas clica aqui.