Conhecido como o “Barão do Tráfico”, que já foi considerado pela PF (Polícia Federal) como um dos maiores traficantes do Brasil, Leonardo Dias Mendonça, de 63 anos, morreu nesta quinta-feira (20). Ele era interno da Penitenciária Federal de Campo Grande e deu entrada na Unidade do Trauma da Santa Casa da Capital nesta segunda-feira (17) em estado gravíssimo.
Leonardo Dias Mendonça, 63 anos, conhecido como “Barão do Tráfico” e apontado pela PF como um dos maiores traficantes do Brasil, morreu nesta terça-feira (18) após ser transferido em estado gravíssimo da Penitenciária Federal de Campo Grande para a Santa Casa da Capital, onde teve morte cerebral decretada. Com histórico criminal desde os anos 1990, ele acumulava condenações de 39 anos por tráfico internacional de drogas.
A reportagem apurou que Leonardo deixou o presídio em ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). A defesa, composta pela advogada Ana Cláudia Alves, informou que ele vinha apresentando, desde a semana passada, queixas relacionadas ao seu estado de saúde, sendo posteriormente encaminhado para atendimento médico, onde permaneceu internado em estado grave.
Agora, defesa e a família aguardam as providências a serem adotadas pelo Estado e pelas autoridades competentes quanto aos procedimentos necessários para a liberação e o traslado do corpo. “O prisioneiro cumpria pena em Campo Grande, cidade com a qual não possuía qualquer vínculo, tendo sido transferido do Estado de Goiás, onde mantinha seu domicílio e seus vínculos familiares”, discorre a nota.
“Espero que o mesmo Estado que o levou vivo tenha a responsabilidade de trazê-lo de volta a Goiás, ainda que agora morto”, finaliza a advogada.
Saiba mais – O histórico de Leonardo no crime remonta ao menos ao fim da década de 1990. Em janeiro de 2003, a Folha de S.Paulo noticiou que ele havia sido condenado a 23 anos e quatro meses de prisão por tráfico internacional de drogas. O processo tinha origem na apreensão de 327 quilos de cocaína encontrados pela PF em um avião, em Cocalinho, no Mato Grosso, em 1999. Segundo a reportagem, depoimentos colhidos durante a investigação apontavam Leonardo como líder do grupo.
Ainda conforme a Folha, registros telefônicos mostravam ligações feitas por Leonardo para Colômbia, Suriname e Peru dias antes da apreensão. À época, ele negava envolvimento com o tráfico, e a defesa afirmava que recorreria da condenação.
O “Barão do Tráfico” também ganhou projeção durante a Operação Diamante, investigação da PF sobre tráfico de drogas e suspeitas de compra de sentenças no Judiciário.
Anos depois, seu nome continuou associado pelas autoridades a grandes estruturas do narcotráfico internacional. Reportagem do UOL publicada em 2023 apontou Leonardo como ex-aliado de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que foi interno do presídio federal em Campo Grande por duas temporadas, sendo a segunda passagem entre setembro de 2019 e janeiro de 2024.
A mesma matéria registrou que ele já havia integrado a lista de procurados da Interpol e também foi investigado por suspeita de negociar cocaína com integrantes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em troca de dinheiro e armamentos no começo dos anos 2000.
Segundo o UOL, as investigações chegaram a apontar uma movimentação de cerca de 400 quilos de cocaína por mês nesse esquema.
Antes disso, em 2009, O Globo noticiou que Leonardo havia sido transferido da carceragem da PF em Goiânia para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. Segundo o jornal, mesmo preso, ele comandava, por telefone celular, uma organização criminosa com ramificações no Suriname, Venezuela, Colômbia e Holanda. Naquele momento, acumulava condenações que somavam 39 anos de prisão.
Ainda de acordo com O Globo, a PF atribuía ao grupo comandado por Leonardo a movimentação de até quatro toneladas de drogas por ano. Na operação realizada naquele período, 59 pessoas foram presas em ações desencadeadas em nove estados e no Distrito Federal.
Leonardo também foi preso em 2013 e passou ao regime semiaberto, com tornozeleira eletrônica, em agosto de 2018. Em setembro do ano seguinte, voltou a ser preso durante uma operação da PF que investigava uma organização suspeita de usar pequenos aviões para transportar drogas e posteriormente enviar os entorpecentes para a Europa.