Estado cresce 6 vezes acima do País nos abates, enquanto maior oferta de animais pressiona remuneração
Mato Grosso do Sul ampliou em 18% a produção de suínos no primeiro semestre de 2026 e registrou um crescimento bem acima da média nacional. Apesar do avanço da atividade e do aumento das exportações, o preço pago ao produtor continua em queda. Em junho, o suíno vivo foi comercializado a R$ 5,05 o quilo, valor 25,2% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, segundo o boletim Casa Rural, da Famasul.
Mato Grosso do Sul ampliou em 18% a produção de suínos no primeiro semestre de 2026, com 1,99 milhão de animais abatidos, alta bem acima da média nacional de 2,9%. Apesar do avanço e do crescimento de 8,5% nas exportações, o preço pago ao produtor caiu para R$ 5,05 o quilo em junho, queda de 25,2% em relação a 2025, pressionando a rentabilidade do setor.
O Estado produziu 352 mil suínos para abate em junho, volume 9,7% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, foram abatidos 1,99 milhão de animais, crescimento de 18% sobre igual período de 2025. No Brasil, o avanço foi de 2,9%, mostrando que Mato Grosso do Sul expandiu a produção em ritmo muito superior ao da média nacional.
Segundo a Famasul, a maior oferta de animais em 2026 tem pressionado as cotações. Em junho, o preço médio do suíno vivo caiu 11,4% em relação a maio e fechou em R$ 5,05 por quilo. Na comparação com junho de 2025, a desvalorização chegou a 25,2%. O valor médio praticado nos seis primeiros meses deste ano também ficou 9,9% abaixo do observado no mesmo período do ano passado.
Exportações seguem em alta
Enquanto o mercado interno enfrenta pressão sobre os preços, as exportações mantêm trajetória de crescimento. Em junho, Mato Grosso do Sul embarcou 1,2 mil toneladas de carne suína in natura, que renderam US$ 3,7 milhões.
No acumulado do primeiro semestre, os embarques alcançaram 6,8 mil toneladas e receita de US$ 18,6 milhões. Em comparação com os seis primeiros meses de 2025, o volume exportado aumentou 8,5%, enquanto a receita cresceu 7,3%.
As Filipinas permaneceram como o principal destino da carne suína sul-mato-grossense, respondendo por 25,3% da receita obtida com as vendas externas e importando 2,6 mil toneladas do produto. Na sequência aparecem Argentina, com participação de 18,7%, e Hong Kong, que assumiu a terceira colocação ao ampliar em 304,2% o volume adquirido na comparação com o primeiro semestre de 2025.
Outro dado do levantamento mostra que 56,8% da carne suína exportada por Mato Grosso do Sul saiu pelo Porto de Paranaguá (PR), equivalente a 6,4 mil toneladas. O Estado respondeu por 1,5% das exportações brasileiras da proteína no primeiro semestre e ocupou a sexta posição no ranking nacional.
Relação de troca piora
Mesmo com o crescimento da produção e das exportações, a rentabilidade do produtor continua pressionada pelos preços mais baixos.
Em junho, a venda de um quilo de suíno vivo permitiu a compra de 6,08 quilos de milho ou 2,59 quilos de farelo de soja. Na comparação com junho de 2025, a relação de troca piorou 20,3% frente ao milho e 25,2% em relação ao farelo de soja, indicando perda do poder de compra do suinocultor diante dos principais insumos utilizados na alimentação dos animais.