Dados apontam aumento de casos de agressão contra pessoas do sexo feminino de todas as idades
As notificações de violência contra mulheres e meninas em Mato Grosso do Sul chegaram a 71.853 casos nos últimos 10 anos. Entre 2016 e 2025, foram 71,8 mil registros de violência geral, sendo 33.216 de violência física, 9.986 de violência psicológica e moral, além de 5.918 de violência sexual.
Mato Grosso do Sul registrou 71.853 notificações de violência contra mulheres e meninas nos últimos dez anos, segundo dados do Sinan divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde. Os casos incluem 33.216 de violência física, 9.986 psicológica e moral e 5.918 sexual. A maioria das vítimas é parda, com 34.025 registros, e os agressores são, em geral, cônjuges ou ex-cônjuges.
Os dados são do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), informados pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), e apontam que a maioria dos casos ocorre entre pessoas com Ensino Fundamental incompleto. Ao todo, são 12.136 vítimas só entre a 5ª e a 8ª série.
A população parda é a que mais precisou de atendimento médico em decorrência de agressões, com 34.025 notificações. A SES destaca que os números indicam intensificação da violência contra mulheres e meninas no Estado ao longo da última década.
“Entre 2015 e 2025, foram registradas 121.308 notificações de violência em geral, considerando homens e mulheres. No entanto, ao analisar os casos femininos, observa-se um cenário preocupante. A violência atinge mulheres de diferentes idades, níveis de escolaridade e contextos sociais, com predominância de agressões dentro do próprio convívio”, informou em nota.
A maior parte dos casos de violência física ocorre contra mulheres adultas e representa 75% do total. A secretaria também aponta que, apesar da predominância entre mulheres pardas, foram registrados 24.366 casos envolvendo mulheres brancas e 5.504 contra indígenas. “Isso reforça a necessidade de políticas específicas para populações vulneráveis”, destacou a pasta.
Na maioria das ocorrências, as vítimas tinham vínculo com o agressor. Cerca de 16 mil casos foram cometidos por pessoas próximas, como cônjuges e ex-cônjuges, que lideram as notificações.
A assistente social Patrícia Ferreira, do Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), explica que, embora o primeiro atendimento ocorra nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), há protocolo municipal que orienta o acolhimento dessas vítimas.

Segundo ela, em casos de violência sexual, são realizadas profilaxias para prevenir infecções sexualmente transmissíveis. Já em situações envolvendo crianças e adolescentes, o Conselho Tutelar é acionado para acompanhamento. Quando a vítima é mulher, há orientação para formalização da denúncia.
Todos os atendimentos relacionados à violência são registrados no Sinan. Após a confirmação, os casos são encaminhados à atenção primária do município, responsável pelo acompanhamento.
“Espero que a gente consiga fazer movimentos para diminuir, a gente precisa diminuir o número de violências no nosso Estado”, destacou Patrícia, que compara o aumento dos casos a uma pandemia.
Se você vive ou testemunha alguma forma de agressão, denuncie. O 180 atende 24 horas e pode orientar e acolher. Em situações de risco imediato, ligue 190. Seu gesto pode salvar uma vida.
