No Pantanal, tuiuiú mata peixe-cobra a bicadas antes de engolir presa

Registro foi feito pelo fotógrafo Maurício Abib durante período de cheia na região de Miranda Ave símbolo do Pantanal, o tuiuiú impressiona não apenas pelo tamanho, mas também pela forma como captura as próprias presas. Vídeo registrado pelo fotógrafo Maurício Abib, na região pantaneira de Miranda, a 208 km de Campo Grande, mostra o momento...

Registro foi feito pelo fotógrafo Maurício Abib durante período de cheia na região de Miranda

Ave símbolo do Pantanal, o tuiuiú impressiona não apenas pelo tamanho, mas também pela forma como captura as próprias presas. Vídeo registrado pelo fotógrafo Maurício Abib, na região pantaneira de Miranda, a 208 km de Campo Grande, mostra o momento em que a ave golpeia repetidas vezes um muçum, peixe também conhecido como “peixe-cobra”, antes de engolir o animal inteiro.

O registro foi feito no fim de novembro, início do período de cheias no Pantanal, durante um passeio com hóspedes na região da Pousada Caiman, no pantanal de Miranda. Nas imagens, o tuiuiú aparece segurando o muçum com o bico e dando sucessivas bicadas antes de engolir a presa sem dificuldade. Segundo o fotógrafo, o comportamento faz parte da forma de caça da espécie.

Vídeo registrado pelo fotógrafo Maurício Abib no Pantanal de Miranda, a 208 km de Campo Grande, mostra um tuiuiú engolindo um muçum, peixe de aparência semelhante a uma cobra. O biólogo Rudi Laps, da UFMS, explica que o muçum é item frequente na dieta da ave e que o tuiuiú é especialista em vertebrados aquáticos, alimentando-se principalmente de peixes e anfíbios.

“Depois de garantir que o muçum, que lembra uma serpente, estava dominado, o tuiuiú o engoliu sem pestanejar e continuou procurando mais presas”, relatou o fotógrafo que presenciou e registrou a cena.

Maurício comenta que nas épocas de cheia e vazante ocorre uma migração bastante conhecida de aves pernaltas que dependem da água, além de peixes, caramujos e outros animais que estão se reproduzindo em grande número. “Nessa época elas se esbanjam, para depois se reproduzirem”, explica.

Segundo o biólogo e professor do Inbio/UFMS (Instituto de Biociências da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Rudi Ricardo Laps, o muçum é um dos alimentos preferidos da ave pantaneira justamente pelas características do peixe. “É comum ele comer muçum. Inclusive, é um item da dieta dele, e ele é bem especialista em comer muçum, porque é um bicho bastante liso, mas é um peixe”, explicou.

Apesar da aparência semelhante à de uma cobra, o biólogo explica que o muçum é um peixe adaptado a ambientes alagados e pobres em oxigênio. “Ele consegue puxar ar da atmosfera quando não tem muito oxigênio na água. Tem um sistema na boca que permite essa troca gasosa, então é um animal muito resistente em banhados”, afirmou o pesquisador.

Ele também aponta que o formato alongado do muçum costuma causar confusão em quem observa a cena rapidamente. “Às vezes a pessoa olha de relance e pensa que ele está comendo uma cobra. Mas não, é um mussum. Quem conhece sabe que ele gosta bastante desse tipo de alimento”, explicou Rudi.

Embora o tuiuiú possa consumir pequenos roedores, serpentes e até carniça em situações extremas, o biólogo afirma que a ave continua se alimentando principalmente de peixes, anfíbios e outros animais encontrados em áreas alagadas do Pantanal. “O tuiuiú é especialista em vertebrados aquáticos, principalmente peixes e anfíbios. Também pega caramurus, que são invertebrados. É um animal carnívoro”, disse o biólogo.



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