Por Mário Sérgio Lorenzetto | 16/08/2026 11:45
A notícia que está apavorando a Europa não vem de alguma idiotice de Trump ou da guerra entre a Rússia e Ucrânia, é a da seca do rio Danúbio. As manchetes mostram que duzentos navios nazistas apareceram na areia do que foi esse rio caudaloso. O Danúbio é o segundo maior curso de água europeu. Tão extenso que se fosse no Brasil, iria de Campo Grande a Maceió, em Alagoas. Quase 3.000 km de extensão. Nascia na Floresta Negra da Alemanha, atravessava dez países, e desaguava no Mar Negro romeno. Sumiu!
Como um rio desaparece.
Além das motosserras e queimadas, há uma mudança ambiental que não vem sendo devidamente debatida ou esclarecida. A concentração de CO2 no ar está chegando a 600 partes por milhão (ppm). A principio, esse é um maná para as plantas: um alimento que promove o crescimento das árvores. Mas em excesso, é um grande problema. Por outro lado, o planeta não para de ser aquecido pelos humanos. A atmosfera perde cada vez mais água e tem de roubá-la das folhas, talos e troncos. A mortandade vegetal se multiplica e a mata vai clareando. Isto faz com que a radiação solar e o calor penetrem fortemente na “submata”, o conjunto de vegetação de baixa estatura, retroalimentando o processo. As espécies vegetais vão rareando, restando apenas palmeiras e matos de baixíssima altura. É assim que um rio vira deserto.
Aumenta a velocidade da seca.
Esse não é um processo único no planeta. Já aconteceu há milhares de anos. A grande diferença, no entanto, está na velocidade. Estamos fazendo em 100 anos o que levou 10.000 anos para acontecer. Pode parecer estranho, mas o excesso de CO2 não só é prejudicial para as árvores, é fator fundamental para a seca dos rios
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