Com previsão de investimento de R$ 1,9 bilhão, o projeto apresentado pela Lhg Mining Corumbá (antiga J&F Mineração), que busca ampliar a capacidade de embarque de minérios no Terminal Privativo Gregório Curvo para 15 milhões de toneladas por ano, destaca que a expansão torna a ferrovia economicamente viável. Já o Rio Paraguai precisará passar por dragagem para garantir a navegabilidade das embarcações responsáveis pelo transporte de minério.
A empresa Lhg Mining Corumbá apresentou ao Imasul um projeto de R$ 1,9 bilhão para ampliar o Terminal Privativo Gregório Curvo, em Corumbá, elevando a capacidade de embarque de minérios para 15 milhões de toneladas por ano. O plano inclui dragagem do Rio Paraguai e geração de até 1.642 empregos na obra, prevista entre 2026 e 2029. O projeto será debatido em audiência pública no dia 11 de junho.
Os dados constam no Rima (Relatório de Impacto Ambiental), que foi apresentado ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). O porto fica às margens do Rio Paraguai, em Corumbá, a 428 km de Campo Grande. A reportagem questionou sobre a capacidade de embarque atual e aguarda resposta.
Conforme o estudo, a ampliação do terminal fluvial tem potencial para impulsionar a economia, gerando empregos e promovendo o desenvolvimento regional.
“Além disso, como em uma reação em cadeia, o aumento do volume de minério embarcado para 15 milhões de toneladas por ano aumenta a demanda pela logística ferroviária, o que torna economicamente viável o investimento da operadora Rumo no aumento da capacidade de transporte da ferrovia, eliminando um importante impacto na comunidade de Porto Esperança e minimizando atropelamento fauna ao longo da rota viária ora em uso”.
O terminal fica no distrito de Porto Esperança, que tem 54 famílias e história ligada à Estação Ferroviária da Estrada de Ferro inaugurada em 1912. A localização é estratégica, pois permite o escoamento do minério de ferro da Mina de Santa Cruz por ferrovia, através da Malha Oeste.
Atualmente, o empreendimento tem a Licença de Operação 220/2019, emitida pelo Imasul, que autoriza a capacidade de armazenamento no pátio de produtos de 700.000 toneladas por ano de minério de ferro e manganês.
Logística – Os vagões carregados de minério chegarão pela ferrovia e ingressarão na pera ferroviária (utilizada para mudar a direção de uma composição), onde passarão pelo virador de vagões para descarregamento automático.
Após descarregado, o minério seguirá para o pátio de estocagem através de transportadores de correia (esteiras rolantes), onde estão previstas sete pilhas de estocagem de minério. A área de formação das pilhas será descoberta e, por isso, são previstas unidades aspersoras para controle de poeiras. Foram projetados 22 transportadores de correia.
O minério de ferro granulado seguirá por transportadores de correia para a área de peneiramento e posteriormente para o píer. O minério mais fino (sínter feed) seguirá diretamente para o píer. O local contará com plataformas para o carregamento das barcaças por meio de dois carregadores móveis.
Obra e empregos – A obra exige a remoção da vegetação numa área de 66,52 hectares, a terraplenagem e abertura dos acessos. É nessa fase que será construída uma ponte de acesso, transpondo corixo (braço de rio que se forma durante a cheia).
Parte do material de empréstimo (solo, areia, sedimentos) será obtida de fornecedores locais e parte será retirada por meio da realização de dragagem de manutenção de calado. O volume previsto na atividade de dragagem é 234.619 m³ (metros cúbicos), equivalente a 94 piscinas olímpicas.
“No rio Paraguai, para garantir a navegabilidade das embarcações responsáveis pelo transporte de minério, serão realizadas obras de dragagem de manutenção do calado, com o objetivo de assegurar o fluxo contínuo dessas embarcações”.
De acordo com o estudo, está previsto um total de 1.642 trabalhadores, considerando equipes de terraplanagem, obras civis, montagem eletromecânica, comissionamento, gerenciamento e equipe operacional. No pico das obras, serão 999 funcionários.
Após a obra, a fase de operação requer 218 profissionais, mas somente 24 vagas serão abertas, pois os demais 194 trabalhadores já atuam no terminal. A etapa de implantação é entre 2026 e 2029, com entrada em operação no ano de 2029.
Meio ambiente – A área diretamente afetada pelo projeto é composta principalmente por vegetação nativa, que ocupa 66,52 ha (53,93%), pelos corpos d’água (42,22 ha) e pelas áreas modificadas pelo homem (14,61 ha).
A promessa é de programas para controle de ruídos provocados pela movimentação de cargas e veículos, medidas para minimizar o efeito da poeira e controle erosivo devido à obra de dragagem.
Conforme o projeto, a dragagem será realizada conforme necessidade para garantir a profundidade adequada no canal de acesso, mantendo a navegabilidade e segurança das operações do terminal.
“Nos ambientes aquáticos, a retirada da vegetação que protege os curso d’água, especialmente 18,9 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a dragagem do leito do rio Paraguai podem causar o afugentamento da fauna”. O estudo será debatido durante audiência pública em 11 de junho.
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