A região do Paiaguás, no Pantanal em Mato Grosso do Sul, voltou a encher e está praticamente coberta pela água após 10 anos de seca. O cenário visto de cima é uma esperança.
A região do Paiaguás, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, voltou a encher após 10 anos de seca intensa. Segundo o diretor do Instituto Homem Pantaneiro, Ângelo Rabelo, chuvas nas cabeceiras do Rio Taquari cobriram quase um terço da área. O governo estadual decretou emergência ambiental por 180 dias, e o IHP reforçou a manutenção do Sistema Pantera, que monitora mais de 1 milhão de hectares do bioma.
A maior planície alagada do mundo já sofreu muito com incêndios, principalmente entre 2020 e 2024, com a combinação de calor extremo e seca severa. Conforme dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o fogo queimou 10,9 milhões de hectares no Pantanal.
O diretor do IHP (Instituto Homem Pantaneiro), Ângelo Rabelo, explicou que a cheia acontece especificamente no Delta do Taquari.
“Choveu muito nas cabeceiras do rio taquari, na região mais Oeste, a partir do Arrombado do Caronal, ele espraia essa água. É uma cheia que ocupa quase um terço do Paiaguás, fruto desse incidente do rio taquari, mas fazia 10 anos que não enchia tanto assim”, pontuou.
O termo Arrombado é uma linguagem técnica, usado quando o leito do rio fica mais alto do que as margens. Na prática, é um ponto de ruptura nas margens do Rio Taquari.
Aos olhos de Rabelo, “é uma capacidade de resiliência que o Pantanal tem”. No entanto, “não nos deve deixar relaxados, no sentido de que está tudo bem. Isso é talvez um pouco de esperança”, ressaltou.
Ainda de acordo com o IHP, a régua de Ladário mostra que o Rio Paraguai está medindo 2,36 metros.
“Essa medida mostra que é uma cheia moderada, uma cheia convencional vai a 4 metros. É um nível interessante, um nível que dá um certo conforto para a navegabilidade e que traz um conforto sobre o ponto de vista ambiental”, pontuou.
Emergência – O bioma sofre com condições climáticas, como a onda de calor e o fenômeno El Niño.
Diante disso, o Governo do Estado decretou situação de emergência ambiental por 180 dias em Mato Grosso do Sul. O alerta é maior para áreas do Pantanal.
Conforme a publicação, a combinação de temperaturas acima de 30°C, ventos superiores a 30 km/h e umidade relativa do ar abaixo de 30% cria um cenário propício para incêndios sem controle.
O IHP também reforçou as ações de prevenção na região da Serra do Amolar. Com o apoio da Marinha do Brasil, a entidade realizou a manutenção de uma das torres do Sistema Pantera, tecnologia utilizada para detectar focos de fumaça e permitir uma resposta rápida ao surgimento do fogo.
A ação inclui a substituição de quatro baterias responsáveis por manter o funcionamento ininterrupto das câmeras de alta resolução instaladas na estrutura. O sistema opera 24 horas por dia e monitora mais de 1 milhão de hectares do Pantanal brasileiro e boliviano.
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