Sem luz há quase 28 horas, paciente "respira" com energia da vizinha

Cabo de 100 metros atravessa imóveis para manter respirador e outros aparelhos ligados Sem eletricidade há quase 28 horas, Alexandre precisa de respirador 24 horas por dia, além de inalador, aspirador, oxigênio, bomba de infusão, oxímetro e colchão pneumático. (Foto: Direto das Ruas) “Ela prontamente cedeu. A enfermeira foi até a Leroy [Merlin], comprou 100...


Cabo de 100 metros atravessa imóveis para manter respirador e outros aparelhos ligados

Sem eletricidade há quase 28 horas, Alexandre precisa de respirador 24 horas por dia, além de inalador, aspirador, oxigênio, bomba de infusão, oxímetro e colchão pneumático. (Foto: Direto das Ruas)

“Ela prontamente cedeu. A enfermeira foi até a Leroy [Merlin], comprou 100 metros de cabos e fizemos a extensão”, conta Margiane Reis sobre a ajuda recebida para manter os aparelhos do marido ligados durante o apagão.

Acamado há 12 anos e dependente de respirador, Alessandro Moreira dos Reis sobrevive desde quinta-feira (10) com energia elétrica cedida por uma vizinha no Carandá Bosque, em Campo Grande, após o temporal deixar sua casa sem luz. Com 100 metros de cabo improvisado, a ligação sustenta respirador, oxigênio e outros equipamentos vitais. A Energisa informou que 90% dos clientes já tiveram o fornecimento restabelecido.

Alessandro Moreira dos Reis, acamado e traqueostomizado, depende desde a noite de quinta-feira (10) da energia cedida por uma vizinha no Carandá Bosque, em Campo Grande. A casa da família, na Rua Kame Takayassu, ficou sem luz durante o temporal, e uma ligação improvisada atravessa imóveis até chegar ao quarto onde ele permanece.

O paciente precisa de respirador 24 horas por dia, além de inalador, aspirador, oxigênio, bomba de infusão, oxímetro e colchão pneumático. A eletricidade também mantém um frigobar usado para conservar dieta enteral e medicamentos.

A alternativa surgiu quando a enfermeira que acompanha Alessandro percebeu que uma rua lateral ainda tinha fornecimento. Ela procurou uma moradora, explicou a situação e recebeu autorização para puxar a eletricidade até a casa do paciente.

Com 100 metros de cabo, a ligação passou por outra residência e entrou pela janela do quarto. Desde então, é essa estrutura que sustenta os equipamentos necessários aos cuidados do paciente.

Alessandro tem granulomatose de Wegener, doença autoimune diagnosticada em 2014, e está acamado há 12 anos. A condição exige acompanhamento permanente e torna a família especialmente dependente do fornecimento elétrico.

Até a noite desta sexta-feira (11), quase 28 horas depois da interrupção, a casa ainda não havia recuperado o fornecimento normal. Margiane teme que uma pane ou nova queda interrompa a ligação improvisada que mantém o marido assistido.

“Como temos prioridade, achei que resolveriam mais rápido”, relatou. Segundo ela, a família apresenta à concessionária, a cada seis meses, o laudo que informa a dependência de equipamentos elétricos.

O outro lado – A concessionária Energisa informa, em nota emitida à imprensa, que 90% dos clientes já tiveram o acesso à eletricidade restabelecido. No texto, a empresa privada destaca que o número de equipes técnicas nas ruas é 4 vezes maior que o contingente habitual.

Ainda conforme a responsável, os serviços essenciais, incluindo hospitais, já foram normalizados. A empresa reforçou que segue trabalhando para normalizar o fornecimento para todos os clientes afetados pela tempestade.



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