Após o temporal de quinta-feira (10), que derrubou árvores e rompeu a fiação em diversos bairros, donos de restaurantes de Campo Grande recorreram à criatividade e também aos amigos para atenuar o prejuízo.
Banho-maria, venda fiado e solidariedade de amigos foram algumas das soluções pensadas para que os empreendimentos conseguissem abrir as portas nesta sexta (11). A energia não afeta apenas a refrigeração de alimentos, mas também atendimentos locais e até mesmo o funcionamento das máquinas de cartão.
Restaurantes de Campo Grande improvisaram soluções após temporal na quinta-feira (10) deixar bairros sem energia. Comerciantes usaram banho-maria, vendas fiadas e redes de solidariedade para evitar prejuízos. Uma churrascaria na Avenida Afonso Pena estima perdas de R$ 30 mil, enquanto um restaurante no bairro Santa Maria teve o telhado arrancado, com danos de R$ 12 mil. Estoques de alimentos foram distribuídos a parceiros para conservação.
Em uma churrascaria e buffet na Avenida Afonso Pena, no bairro Amambai, sem energia elétrica desde o temporal, a saída foi adotar uma operação totalmente “manual” para tentar minimizar os prejuízos, que podem chegar a R$ 30 mil caso a luz demore a voltar.
Sem luz para refrigerar a mesa fria de saladas, o restaurante adaptou o buffet para servir apenas pratos quentes, mantidos aquecidos com água fervida no fogão a gás. Nos freezers desligados, refrigerantes e cervejas esquentaram. A falta de internet paralisou o atendimento por um aplicativo de entregas e impediu o uso das máquinas de cartão, restando a anotação em papel e a cobrança em dinheiro vivo.

A incerteza também travou o planejamento de compras da semana. “Hoje a gente acabou nem fazendo o Ceasa, porque como tem que guardar, como vamos guardar esses produtos? No caso, essa compra de hoje seria para o final de semana, mas como vamos manter esses alimentos para os próximos dias?”, questiona Caroline.
Já em um restaurante especializado em frango caipira no bairro Santa Maria, perto do Aeroporto Internacional de Campo Grande, o vendaval causou destruição estrutural. As rajadas de vento arrancaram todo o telhado do prédio, gerando um prejuízo estimado em R$ 12 mil apenas na cobertura.
“Foi aquele caos, coisa de filme mesmo. Saiu todo o telhado do restaurante, acabou a energia, queimou computador, quebrou mesa. Isso porque ainda nem checamos todos os freezers”, relata Douglas Moraes, filho dos donos.
Sem gerador e com a fiação exposta, a equipe cobriu freezers e equipamentos com sacos de lixo para protegê-los de novos temporais e do sol. Para salvar o estoque de carnes, Douglas recorreu à solidariedade: carregou os alimentos na sua caminhonete e os distribuiu para guardar em freezers de restaurantes parceiros da região. O que já estava pronto para o almoço do dia foi consumido pelos próprios funcionários para evitar desperdício.
Os pais de Douglas, que estavam em viagem de férias em Maceió (AL), anteciparam o voo de volta para a Capital para liderar o mutirão de reconstrução e mapear os estragos.
A situação se repete em pequenos negócios. No bairro Vila Eliane, a cozinheira Elena Marquelozo, proprietária de um restaurante de comida caseira, encontrou na venda fiada a única alternativa para evitar o descarte total dos alimentos que começaram a descongelar nos freezers.
“Vendi muito pouco hoje, nem águas e nem bebidas. Nem máquina de cartão usei e vendi muito fiado, porque não tem como carregar as máquinas. Os alimentos estão na geladeira, descongelando tudo”, desabafa a comerciante.
