Quem tem gato já foi atropelado pela loucura dele de madrugada. Muitas vezes o show começa antes disso. É corrida no corredor, salto olímpico na cama, ataque invisível do nada, escalada em absolutamente tudo, e, se der tempo, parkour completo nas paredes. Quem acha que isso é só uma fase, aqui vai a notícia: a “hora do Taz-Mania” dos bichanos é eterna. E o Lado B te explica o porquê.
Gatos adultos tendem a enlouquecer de madrugada por serem animais crepusculares, ou seja, mais ativos ao amanhecer e ao anoitecer. Segundo o veterinário Rafael Rodrigues, esse comportamento é permanente e serve para liberar energia acumulada. A intensidade varia conforme a personalidade do animal, e a solução é oferecer estímulos e espaço para que o gato se exercite antes de virar um festival noturno.
Segundo o veterinário especialista em felinos, Rafael Rodrigues, esse comportamento não é um surto aleatório; é algo natural. Os gatos são animais crepusculares, então ficam mais ativos ao amanhecer e ao anoitecer, quando têm os estímulos necessários. Traduzindo: quando você quer dormir, ele quer viver intensamente. E não adianta pensar “ah, é filhote, depois passa”. Não é bem assim.
“Isso acontece mais com os gatos adultos do que até mesmo com filhote, porque o filhote, ele tá aprendendo a se socializar ainda.” Ou seja, o pequeno ainda está se organizando. O adulto já entendeu tudo e decidiu tocar o terror mesmo assim.
E aqui vem o balde de água fria definitivo: “Isso não tende a passar. Isso vai ficar pra sempre com ele, porque isso faz parte da rotina do gato”. Mas calma, não é só caos gratuito. Tem função nisso tudo.
“Isso também é um modo deles desestressar”, explica o veterinário. O próprio Rafael descreve o cenário clássico de quem trabalha o dia inteiro e paga o preço à noite: “Quando eu chego em casa, os meus gatos, eles tocam um terror, eles correm, eles pulam, escala a cortina da sala, cortina do quarto. O gato passou horas acumulando energia. Em algum momento, essa conta chega”. E normalmente chega quando você apagou a luz.
“Por isso tem que ter um o espaço todo gatificado para que o felino possa fazer exercícios brincar, ter aquele instinto de gato mesmo porque os gatos até hoje não foram domesticados igual os cães”.
Outro detalhe importante é que nem todo gato vai ser um furacão nível máximo. “O nível de Taz-Mania vai depender muito da personalidade do gato.” Rafael explica que tem persa que parece um monge em retiro espiritual e tem persa que resolve treinar atletismo às três da manhã. O Bengal, o famoso “gato-onça”, basicamente já vem com o modo turbo ativado desde o início. Mas não dá para confiar só na raça. Cada gato decide o próprio caos.
E aquela teoria clássica de que gato laranja é mais atentado? Ciência nenhuma comprou essa ideia. “Não tem nada cientificamente comprovado em relação a cor”, diz Rafael. Então, se o seu gato é um agente do caos, não culpe a pelagem. Culpe o fato de ele ser um gato entediado com energia sobrando.
No fim, tem um erro bem comum nessa história toda: esperar que o gato se comporte como um cachorro. Não vai acontecer. O que dá para fazer é tentar sobreviver com dignidade, oferecendo estímulo, espaço e alguma forma de gastar essa energia antes que ela vire um festival às três da manhã.