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Sérgio e seu Réveillon Solitário na Patagônia: Uma Reflexão de Vida


Sérgio passou a virada sem fogos, com o vento da Patagônia Argentina (Foto: Arquivo pessoal)

Para muitos, o dia 31 de dezembro é sinônimo de mesa farta, roupas brancas e comemorações barulhentas, mas para o campo-grandense Sérgio Ortlieb, de 49 anos, a virada deste ano para 2026 será sem fogos, com o vento da Patagônia Argentina e o silêncio de quem aprendeu a ser a própria companhia. Para ele isso não é solidão, é experiência.

O campo-grandense Sérgio Ortlieb, de 49 anos, escolheu uma forma diferente de celebrar a virada do ano: sozinho, na Patagônia argentina. O professor de educação física, que descobriu sua paixão por viagens de moto há três anos após o fim de um casamento de 21 anos, vê na solitude uma oportunidade de aprendizado e autoconhecimento. Em sua trajetória como viajante, Sérgio já percorreu todas as capitais brasileiras, as 79 cidades de Mato Grosso do Sul e enfrentou desafios como a BR-319, conhecida como “Rodovia Fantasma”. Suas aventuras também o levaram a destinos internacionais, incluindo o Salar de Uyuni na Bolívia e a famosa Estrada da Morte.

O professor de educação física também passou o Natal de forma mais introspectiva, acampado no interior do país que faz fronteira com o Brasil. Para ele, não há problema em comemorar dessa forma. O importante é como as pessoas se sentem consigo mesmas, segundo ele.

“Vou andar até onde der, parar e ver o que faço. Não tem glamour além do cenário, não preciso comer algo diferente porque já me encontrei, consigo ser feliz onde estou e não importa a situação ou o dia, procuro ser feliz todos os dias. A data do dia 31 para o dia 1º é simplesmente uma data em que vou agradecer a Deus, como sempre. Como é um dia diferente para muitos, as pessoas, inclusive eu, acabam refletindo sobre o que fizeram e o que podem melhorar no próximo ano”.

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Há 3 anos Sérgio vive aventuras sozinho em estrada pelo mundo (Foto: Arquivo pessoal)

Ele explica que, pela profissão, seria impossível esperar as festas para viajar,  justamente por se tratar de uma viagem longa. E também existe um outro motivo para encarar o desafio sozinho.

“Porque isso me dá muito aprendizado, trabalha emoções, fortalece tomadas de decisões. Tento ter uma vida sem dependência de ninguém”.

Ele conta que não nasceu sobre duas rodas. A paixão pela estrada surgiu há apenas três anos, como um novo norte após o fim de um casamento de 21 anos. O que começou com uma moto para o dia a dia na cidade e um breve passeio até Terenos se transformou em uma sede insaciável por aventura. “Gostei demais de pegar o vento na estrada. Ele me abraçou e não me largou mais”.

Desde então, o currículo de viajante só aumentou. Nesses anos na estrada, ele já conheceu todas as capitais brasileiras, todas as 79 cidades de Mato Grosso do Sul e até a mística BR-319.

A rodovia liga Manaus a Porto Velho e recebeu o nome de “Rodovia Fantasma” porque, após ser inaugurada, foi abandonada, e o trecho central, com cerca de 400 km, se deteriorou devido à falta de manutenção e às chuvas intensas. O local ficou quase intransitável por décadas, com o asfalto sumindo e a floresta tomando conta. Hoje, alguns motoqueiros e motoristas se aventuram.

Há outras teorias sobre o porquê do nome da BR. Uma delas é explicada pelo fato de não haver povoados próximos ao longo de 900 km. Assim, os fantasmas seriam em referência às carcaças de caminhões tombados e abandonados ao longo da estrada.

Além desses lugares, Sérgio conheceu o famoso Salar de Uyuni, na Bolívia, e as curvas perigosas da Estrada da Morte. Agora, o desafio são os 73 malditos, uma estrada de chão, de rípio, que fica na Ruta 40, na Patagônia Argentina.

“Em três anos também conheci a Transpantaneira de Mato Grosso e a de Mato Grosso do Sul, já conheci o interior de Minas Gerais, fiz quase todas as serras do litoral sul do país, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Já fui para Cusco, no Peru, o Monte Chacaltaya, um dos mais altos da América do Sul, e Ushuaia, conhecido como o fim do mundo”.

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Tudo começou por brincadeira e virou paixão (Foto: Arquivo pessoal)

Na bagagem, Sérgio carrega as marcas da estrada: pneus furados, quedas e baterias arriadas. Segundo ele, nada que abale o propósito porque os perrengues são pequenos perto das vistas e das experiências.

“Passar o Ano Novo sozinho, para mim, não é problema. Pelo contrário, é algo que está me fazendo aprender a viver comigo e conviver com sentimentos e experiências. Talvez conheça pessoas novas e passe o ano com elas”.

Enquanto o mundo corre para estourar o champanhe, Sérgio seguirá acelerando, seja encontrando rostos novos pelo caminho ou apenas encarando o pôr do sol em um novo destino.



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